Uma exposição fotográfica um pouco diferente está à disposição do público são-borjense no Memorial João Goulart. As imagens criadas por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus São Borja, mesclam diferentes momentos de um mesmo lugar. A partir das sobreposições de fotografias, as imagens da mostra "Passado e Presente" revelam outras leituras sobre a história da cidade.
O coordenador do trabalho, o professor e coordenador do curso de Jornalismo, Miro Bacin, conta que o trabalho envolveu uma etapa prévia de pesquisa, com coleta e escaneamento de fotografias antigas de diversos pontos da cidade, incluindo alguns registros históricos. Depois, com as imagens antigas selecionadas, os alunos da disciplina de Fotojornalismo reuniram técnicas de enquadramento e ajuste da captação de imagens para registrar os mesmos lugares no estado em que estão hoje. Com técnicas de montagem e sobreposição, a equipe obteve imagens compostas com objetos, pessoas e prédios do passado ressurgindo em meio às fotografias atuais. Resultado: além de aprender as técnicas de enquadramento e exercitar o olhar fotojornalístico, os acadêmicos também oferecem à população imagens especiais da cidade.
Dentre as imagens expostas, Bacin destaca algumas como a do prédio do antigo Banco do Comércio, hoje ocupado pela agência do Banco Itaú, e a de Leonel Brizola depositando flores no túmulo de Getúlio Vargas, em 1999, e o túmulo nos dias atuais. “Pela técnica de sobreposição de imagens, pode-se fazer uma comparação do que restou daquele passado nos dias de hoje”, comenta o professor, que informa ainda que as fotos principais contém informações pesquisadas pelos alunos: “Lá na exposição, as pessoas vão ter legendas para cada imagem, o que vai facilitar o entendimento”.
O professor Miro Bacin diz que a ideia é manter a mostra por cerca de três semanas no Memorial João Goulart, conforme tratativas feitas com o Departamento de Assuntos Culturais da Prefeitura Municipal de São Borja. Depois, em uma fase itinerante do projeto, a rede municipal de ensino deve receber a exposição em algumas escolas, até chegar de volta ao Campus São Borja, quando o projeto retorna à sua origem. Mas não deve parar por aí: o trabalho que começou na sala de aula pode virar pesquisa e continuar com novas edições na turmas seguintes. “Considero um trabalho inédito para a cidade e que deverá ter sequência com outras turmas. É uma forma de nós, da universidade pública, oferecermos uma memória à comunidade e um objeto de reflexão sobre a preservação dos espaços públicos da cidade”, afirma Bacin.
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Heleno Rocha Nazário
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